A Graça nos liberta, o amor nos compromete!
 
Um cristão é senhor livre sobre todas as coisas e não está sujeito a ninguém.
Um cristão é servidor de todas as coisas e sujeito a todos. (Martim Lutero)
 
Realizar o Dia da Igreja tem sido um momento muito oportuno e marcante para a FAMÍLIA LUTERANA e seus convidados.  A cada edição temos crescido na qualidade do que oferecemos, na comunhão e na participação. Como testemunham nossos membros: "É uma forma de percebermos que também somos muitos, que podemos reunir grande público. É um momento de fortalecer a fé, a vivência comunitária.  Voltamos animados".
O Dia da Igreja não é apenas um dia. Envolve um antes e um depois. O tema escolhido é trabalhado nos preparativos, na motivação para o DIA e traz resultados para ações que continuam depois do evento em si. 
É um encontro ecumênico, aberto, que não quer apenas buscar comunhão e comprometimento com os nossos membros, mas um testemunho público. Uma forma de mostrar quem somos e qual nosso propósito para toda a sociedade, num respeito que não nos arroga dizer que nós somos os únicos que proclamam o Evangelho, e sim, mostrando-nos acolhedores e comprometidos com a verdade e a ética. 
Com a proximidade dos 500 anos da Reforma, somos mais que desafiados a relembrar o legado da Reforma sabendo-nos comprometidos com essa causa.
A maior contribuição de Lutero à eclesiologia protestante foi a sua doutrina do sacerdócio de todos os cristãos. Todo cristão é um sacerdote em virtude de seu batismo.
Lutero enumerou sete direitos que pertencem a toda a Igreja: pregar a Palavra de Deus, batizar, celebrar a Santa Comunhão, carregar “as chaves”, orar pelos outros, fazer sacrifícios, julgar a doutrina. Lutero baseou sua afirmação de que todos os cristãos são sacerdotes no mesmo grau em dois textos do Novo Testamento: “Vós [...] sois [...] sacerdócio real” (1 Pe 2.9), e “nos constituiu reino, sacerdotes” (Ap 1.6).
O sacerdócio de todos os cristãos é tanto uma responsabilidade quanto um privilégio, um serviço tanto quanto uma posição. Deus fez-nos um corpo, um “bolo” (imagem favorita de Lutero). Nossa unidade e igualdade em Cristo é demonstrada por nosso amor mútuo e nosso cuidado uns pelos outros. “O fato de que somos todos sacerdotes e reis significa que cada um de nós, cristãos, pode ir perante Deus e interceder pelo outro. Se eu notar que vocês não têm fé ou têm uma fé fraca, posso pedir a Deus que lhe dê uma fé sólida.” 
Todo o cristão recebe da parte de Deus o poder de ser livre para viver a sua fé por meio do amor.  Para assim viver, ele está munido da Palavra de Deus. Portanto, é sacerdote aquele que cuida das coisas de Deus. 
Tudo isso implica que ninguém pode ser um cristão sozinho.
Para nós luteranos e luteranas, o sacerdócio é o poder concedido por Deus a todos os cristãos para viver o amor por meio da fé em Cristo. Portanto, uma consequência natural da descoberta de Lutero da justificação pela fé. O dom mais importante concedido gratuitamente a todos os cristãos é ser par-tícipe na morte e ressurreição de Cristo. 
A fé na promessa di-vina – no Deus encarnado que an-dou entre nós e pregou o Reino de Deus e, justamente por isso, foi mor-to pelo pecado – nos concede indiretamente uma liberdade até difícil de ser compreendida.  A lógica teológica da época da Reforma não compreendia a conexão de fenômenos opostos: o cristão é livre – pela fé – de qualquer dever a qualquer pessoa deste ou do outro mundo. O cristão é servo – pelo amor – a toda e qualquer criatura!
Quem crê, como diz Paulo, vai falar naquilo que acredita. Todos são iguais e servem conforme os seus dons. Esses, pois, é que irão definir as funções dentro da comunidade. O poder de servir não está no cargo, mas no serviço!
Todo o cristão recebe da parte de Deus o poder de ser livre para viver a sua fé por meio do amor. Portanto, por sermos todos e todas sacerdotes e sacerdotisas, toda a nossa vida é serviço a Deus. O nosso sacerdócio não acontece apenas quando vamos ao culto, mas no nosso trabalho, no convívio familiar, na forma como lidamos com toda a Criação de Deus, enfim, em todo o nosso ser e viver nós estaremos vivendo o nosso sacerdócio. 
Conforme o professor P. Dr. Leandro Hofstätter,  "para nós luteranos, o sacerdócio é o poder concedido por Deus a todos os cristãos para viver o amor por meio da fé em Cristo. Portanto, uma consequência natural da descoberta de Lutero da justificação pela fé". 
Segundo o P. Ms. Martin Volkmann, "o próprio termo 'Sacerdócio geral de todos os crentes' já responde à pergunta 'Quem faz parte do sacerdócio geral de todos os crentes?'  Todos os crentes! Se todos são sacerdotes, ainda há necessidade de alguém especial para conduzir o povo de Deus? Sim! Justamente para relembrar sempre de novo dessa realidade de que todos e todas fazem parte do sacerdócio geral e para orientar esse povo no exercício do seu sacerdócio". 
Como Sínodo Nordeste Gaúcho pretendemos chamar nossos membros para um dia de convivência e comunhão. Que esse dia tenha como resultado pessoas que retornam alegres e dispostas em abraçar com alegria o testemunho na sua comunidade e na sociedade em que vivem. Que ali elas exerçam seu Sacerdócio Geral de Todos os Crentes.
 
Estamos cada vez mais carentes de lideranças. Antes, durante e depois do Dia da Igreja, pretendemos despertar pessoas para o uso de seus dons a serviço da Igreja e do Reino de Deus. 
Falar em compromisso tem assustado e afastado pessoas. Quem ainda quer compromisso? Pois compromisso parece implicar pesados fardos. Mas assumir o sacerdócio a nós legado a partir do nosso batismo, é uma alegria e uma resposta ao amor de Deus.  Trabalhar lideranças, despertar as pessoas para o uso de seus dons, ajudar para que pessoas se compreendam capazes e responsáveis em ajudar sua comunidade/Igreja. Que uns cuidem dos outros. 
Por isso, enfatizamos o que Lutero afirmava: "o cristão é livre – pela fé – de qualquer dever a qualquer pessoa deste ou do outro mundo. O cristão é servo – pelo amor – a toda e qualquer criatura". 
A Reforma de 1517 mexeu com o comportamento da Igreja na época. 
Celebrar os 500 anos da Reforma à luz dessa descoberta e desafio, lançado por Martim Lutero, também quer mexer conosco e nos desinstalar de nosso comodismo.  Quer tornar-nos comunidades vivas e atuantes!    
 
Para refletir, leia 1Pe 2.9-10
Tânia Cristina Weimer,
Pastora Sinodal do Sínodo Nordeste Gaúcho
 
 
 
 
tema do ano 2016
 
campanha va e vem 2016
 
 
 

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