Oscar Niemeyer nos deixou. O povo brasileiro teve na sua pessoa um de seus maiores representantes na arquitetura. Ele deu visibilidade ao Brasil, tornando-se um grande embaixador por meio de seus projetos arquitetônicos.
 
 
Os traços de suas obras encantam as pessoas pela sua originalidade e criatividade. As curvas, que o consagraram estão presentes em quase todos os seus projetos. E a IECLB convive com elas ao longo de décadas. Uma vez, as tomando emprestado para o seu símbolo identificador e, outra vez, abrigando a sede administrativa de um de seus sínodos.
 
Corria o ano da graça de 1969. Decidira-se a realização da V Assembleia da Federação Luterana Mundial no Brasil, mais precisamente, em Porto Alegre/RS. Grande expectativa cercava o evento, marcado para julho de 1970. Pela primeira vez a assembleia aconteceria no hemisfério sul, num contexto do terceiro mundo, como se dizia na época. E o tema era sugestivo e desafiador – Enviados ao Mundo.
Comitês locais foram constituídos, estudos nas comunidades, campanhas de arrecadação de recursos, preparação de um grande Dia da Igreja no espaço da Feira Nacional de Calçados – FENAC em Novo Hamburgo/RS, enfim, uma grande animação e mobilização perpassava a novel Igreja.
 
O cartaz de divulgação da assembleia apresentava a cruz sobre o globo no interior do desenho das colunas do Palácio da Alvorada. Ele sintonizava com o sentimento de orgulho de milhares de pessoas que viam na capital Brasília e na obra arquitetônica de Oscar Niemeyer uma marca do desenvolvimento brasileiro e um sinal de modernidade.
 
A Assembleia foi transferida por causa da grande pressão de igrejas-membro da Federação Luterana Mundial que condenavam o Brasil pela violação dos direitos humanos. Grande frustração se abateu sobre lideranças e comunidades. Um processo de auto-crítica se seguiu e dele resultou o Manifesto de Curitiba – um posicionamento corajoso sobre a realidade política brasileira. Anos mais tarde o desenho do cartaz da Assembleia transferida deu origem à logomarca, o símbolo da IECLB.
 
Sagrado e profano; terra e céu; fé e política; igreja e poder; horizontalidade e verticalidade; contexto e mensagem; a cruz e a política; alvorada a partir da cruz; cruz, mundo e palácio; palácio, mundo e cruz; mundo, palácio e cruz – muitas podem ser as referências e as chaves interpretativas da logomarca.
 
Independente de qualquer uma delas, verdade é que o símbolo está estampado em milhares de documentos e ela orna fachadas de templos e centros comunitários espalhados pelo Brasil inteiro. Ela identifica a Igreja e indica a presença de pessoas que testemunham a fé evangélica na perspectiva da confissão luterana

Pastor Dr. Rolf Schünemann
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O CONIC comemorou, no dia 30 de novembro, 30 anos de atuação e caminhada ecumênica. Para celebrar essa data, três atividades foram programadas ao longo do dia. A primeira foi uma roda de diálogo, que reuniu representantes da CESE, ex-presidentes do CONIC, diretores e membros do Conselho Curador, composto por presidentes das igrejas que compõem o Conselho. O segundo momento foi uma reunião na sede recém reformada, encerrando com uma celebração ecumênica na Paróquia São José Operário, que contou com aproximadamente 150 pessoas.
 
 
Roda de Diálogo
 
A primeira atividade do dia teve como sede o CCB – Centro Cultural de Brasília. O momento foi aberto com o presidente do CONIC, dom Manoel João Francisco, dando as boas vindas aos presentes. Logo após, cada um dos participantes puderam colocar, para a meditação do grupo, fatos importantes que têm acontecido no mundo e que geram impacto na vida de muitos, como o reconhecimento da Palestina enquanto “Estado Observador” nas Nações Unidas, as tentativas sérias de combate à violência, o Fórum Social Mundial Palestina Livre, o Dia do Evangélico, entre outros.
 
Também foi feita uma partilha do texto bíblico de Efésios 2:18-22 e, na etapa seguinte, a diretora executiva da CESE – Coordenadoria Ecumênica de Serviço, Eliana Rolemberg, falou sobre dois assuntos importantes não apenas para as igrejas e os movimentos sociais, mas para todo o País: o Marco Regulatório, que deverá definir as relações entre o Estado Brasileiro e entidades da sociedade civil, e a Comissão Nacional da Verdade, que pretende apurar violações aos Direitos Humanos praticadas por agentes públicos ocorridas entre 18 de setembro de 1946 e 5 de outubro de 1988.
 
 
Também estiveram presentes no momento o 1° e a 2° vice-presidente do CONIC, dom Francisco de Assis e presbítera Elinete Miller, respectivamente; o tesoureiro e a secretária geral, pastor sinodal Altemir Labes e pastora Romi Bencke; o secretário geral da CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, dom Leonardo Steiner; o pastor presidente da IECLB – Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, Nestor Friedrich; a moderadora da IPU – Igreja Presbiteriana Unida, Anita Sue; o bispo primaz da IEAB – Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, dom Maurício Andrade; a presidente da CESE, Eleni Rodrigues, acompanhada da 2° secretária da entidade, Girlaine Gomes; o bispo auxiliar da Arquidiocese de Salvador (BA), dom Gilson Andrade; os ex-presidentes do CONIC dom Sinésio Bohn (católico), Adriel Maia (metodista) e Rolf Schünemann (luterano), juntamente com o ex-secretário geral Ervino Schmidt; o pastor Guilherme Lieven (IECLB) e o assessor de política da CNBB, Geraldo Martins.
 
Reunião na Sede
 
A reunião na sede do Conselho foi marcada por muita emoção. Inicialmente, dom Manoel apresentou as novas instalações do espaço, especialmente decorado para receber os convidados. Uma das salas recém inaugurada trazia objetos que faziam alusão ao CONIC ainda em Porto Alegre (RS), afinal, foi lá que tudo começou. Na sala ao lado, também inaugurada no dia, a decoração e os objetos dispostos já lembravam o planalto central, uma referência à transferência do Conselho para a capital federal.
 
Um dos momentos que reservou grandes surpresas foi descerramento da Galeria dos Ex-Presidentes, uma homenagem àqueles que muito contribuíram para o crescimento e amadurecimento do CONIC. A presidente da CESE, Eleni Rodrigues, e o presidente do CONIC, dom Manoel, puxaram juntos o manto vermelho que cobria a Galeria e, em seguida, cada um dos ex-presidentes, que agora também contava com a presença do pastor Carlos Möller, fizeram uma pequena memória de suas gestões.
 
 
Vale lembrar que as cinco igrejas-membro foram presenteadas com um quadro com a logo comemorativa dos 30 anos do CONIC, além da CESE, tendo em vista a longa parceria entre as duas entidades. “Somos gratos pela vida do CONIC e por sua longa caminhada. Hoje podemos, mais uma vez, celebrar esse aniversário e reafirmar o compromisso da CESE com o CONIC e o ecumenismo”, disse Eleni.
 
O momento ainda contou com a presença do delegado patriarcal da ISOA – Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia, dom Tito Paulo Hanna; da secretária da diretoria do CONIC, Zulmira Inês; do ex-secretário geral Gabriele Cipriani e do membro da Comissão Teológica Joanilson Pires do Carmo.
 
Celebração Ecumênica
 
Le grand finale da comemoração dos 30 anos do CONIC foi, sem dúvidas, a celebração ecumênica realizada na Paróquia São José Operário, na avenida L2 norte, em Brasília. Cerca de 150 pessoas compareceram, entre autoridades do meio religioso e autoridades civis, representantes de organismos ecumênicos, dos movimentos sociais, além de amigos, familiares e parceiros de caminhada.
 
No momento da pregação, dom Manoel falou da importância de se cultivar uma fé sólida, mas baseada na compreensão e na aceitação do outro, no amor ao próximo e na valorização das diferenças. “A diferença é uma fonte de riqueza na busca da verdade”, disse, enfatizando que o CONIC está aberto à adesão de outras igrejas “queremos atrair novas igrejas e, com isso, ampliar o diálogo”, encerrou.
 
A instalação oficial da pastora Romi como secretária geral também foi outro momento solene. Para isso, acompanhou dom Manoel o pastor presidente da IECLB, Nestor Friedrich. Romi aproveitou a oportunidade e lançou oficialmente a Consulta aos Regionais sobre o diálogo inter-religioso, que tem por objetivo ouvir o que os regionais do CONIC têm a dizer sobre o assunto (CLIQUE AQUI para saber mais).
 
 
Destaca-se a presença das seguintes autoridades na celebração: o arcebispo de Brasília, dom Sérgio da Rocha; a assessora da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Marga Ströher; o secretário executivo do CLAI – Conselho Latino-Americano de Igrejas, Darli Alves; a vice-presidente nacional do PMDB Mulher, Regina Perondi; a assessora do CEBI – Centro de Estudos Bíblicos, Mônica de Souza; o assessor da Secretaria Geral da Presidência, do Departamento de Diálogos Sociais, Alexandre Brasil – que na oportunidade representou o ministro Gilberto Carvalho; a coordenadora do SEPAL – Servindo aos Pastores e Líderes, Ilaene Schüler; o secretário executivo do CIMI – Conselho Indigenista Missionário, Cleber Buzatto; o facilitador da REJU – Rede Ecumênica da Juventude, Lucas Correa e o coordenador do MEB – Movimento de Educação de Base, padre Gabriele Cipriani.
 
Por fim, foram distribuídas jangadinhas produzidas por luteranos do Pará.
 
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A Comunidade Evangélica da Paz de Arroio Bonito, de São José do Hortêncio (RS), celebrou os 85 anos de seu templo, o segundo de sua história, inaugurado em 1927. A celebração, que ocorreu no dia 25 de novembro, contou com a presença do pastor sinodal, Altemir Labes e do representante da Diretoria Sinodal, Johannes Hennig, que trouxeram mensagens especiais aos presentes.
 
 
O culto festivo também lembrou os Jubileus de Prata e de Ouro da confirmação das turmas de 1987 e 1962, na época dos pastores Lothar Hennig e Manfred Hasenack.
 
 
Os membros e convidados, que lotaram o templo, puderam ainda apreciar as apresentações do Coral Alegria e do novo Grupo Vocal e Instrumental da Comunidade de Arroio Bonito-Caí.
 
 
No final, a comunidade reuniu-se para um almoço de confraternização. “Agradecemos cordialmente a todos os presentes, em especial aos confirmandos e confirmandas jubilares, e que Deus continue abençoando a cada um em sua caminhada”, disse o pastor Claudio Röhsig.
 
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O Sínodo Nordeste Gaúcho aderiu concretamente à proposta da Rede de Comércio Justo e Solidário: entrelaçando comunidades, organizada pela Fundação Luterana de Diaconia. O primeiro apoio se deu através da destinação da oferta sinodal, no dia 11 de novembro, com objetivo de fortalecer a rede.
 
Agora, o apoio se dá através de uma tomada de atitude, ao contratar o grupo vinculado à Cooperbom, um empreendimento da Economia Solidária, para preparar o coquetel da celebração sinodal de Advento.   
 
 
A Rede de Comércio Justo, pensada pela FLD, reúne empreendimentos solidários que produzem uma série de coisas nas áreas de alimentação, vestuário e reciclagem. Os grupos são compostos, na maioria, por mulheres que tiram dali o sustento de sua família.
 
Além de aproximar os empreendimentos solidários com comunidades, paróquias e sínodos da IECLB, a rede propõe um consumo mais consciente e responsável.
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O pastor sinodal Altemir Labes, que integra a Diretoria do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC), avisa que a entidade está promovendo a oficina “Teologias da Libertação e o Compromisso com a Paz Justa”, a ser realizada no dia 30 de novembro, em Porto Alegre (RS), com início às 13h30. A oficina integra a programação oficial do Fórum Social Mundial da Palestina Livre. No início da noite, será realizada uma Oração pela Paz. Participe!
 
Confira outras informações no cartaz.
 
 
 
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O Brasil instituiu, em maio deste ano, a Comissão Nacional da Verdade (CNV). Considerado passo importante em favor daqueles que foram injustiçados anos de chumbo, o objetivo da Comissão é apurar violações aos Direitos Humanos praticadas por agentes públicos, ocorridas entre 18 de setembro de 1946 e 5 de outubro de 1988. Para falar sobre isso o CONIC foi conversar com Anivaldo Padilha, metodista, e que na década de 70, durante a ditadura militar, foi preso e torturado em São Paulo. Confira:
 
 
Em sua opinião, qual a importância da instituição da CNV?
 
Creio que o processo de redemocratização do Brasil poderia ser dividido em três momentos muito significativos, apesar de suas contradições. Como toda tentativa de identificar períodos históricos, reconheço de antemão que essa é uma divisão arbitrária.
 
O primeiro foi a luta pela Anistia no final da década de 1970. Como sabemos, o movimento pela Anistia mobilizou amplos setores da sociedade. Foi uma demonstração clara de que o Brasil não mais podia suportar o império do arbítrio e do terrorismo de Estado. O movimento forçou o recuo da ditadura, mas não teve forças suficientes para concretizar a vontade da maioria do povo brasileiro de uma anistia ampla, geral e irrestrita. O resultado foi a lei imposta pela ditadura a um Congresso manietado e sem autonomia. Foi uma anistia restrita e que não atingiu a todos os opositores do regime. Os chamados crimes de sangue não foram contemplados e muitos militantes, condenados por tribunais de exceção e sem direito amplo de defesa, continuaram presos. A ampliação só aconteceu posteriormente devido à pressão política e social.
 
O Segundo momento foi a luta pelas eleições diretas. O movimento “Diretas-já” adquiriu uma dimensão nunca antes vista no Brasil. Milhões de brasileiros e brasileiras, de todas as regiões e de todas as classes sociais, foram às ruas exigir o direito de escolher o presidente da República. Mais uma vez, a ditadura se sentiu acuada. E mais uma vez a vontade popular foi frustrada pelo acordo entre as elites, e a emenda constitucional foi derrotada no Congresso e setores da oposição se uniram a antigos apoiadores da ditadura para eleger um presidente civil indiretamente. Entretanto, apesar desse revés, o descontentamento com esse processo mostrou que não havia mais condições de adiar o fim da ditadura. Uma nova Constituição, com vários mecanismos democráticos e garantia de direitos foi elaborada e possibilitou avanços consideráveis, apesar de ainda com alguns limites, no plano dos direitos políticos, sociais, culturais e econômicos.
 
Creio que o trabalho da Comissão Nacional da Verdade pode marcar um terceiro momento. Semelhantemente aos períodos anteriores, a Comissão não é a que muitos aspiravam. Seu objetivo é investigativo e não punitivo. Entretanto, a Comissão certamente contribuirá para que a verdade sobre o período da ditadura civil/militar venha à tona de forma clara e inconteste, especialmente ao apontar os abusos e os crimes praticados à sombra do Estado. Apesar de não ter poder punitivo, a Comissão deverá apontar os responsáveis, diretos e indiretos, pelas graves violações dos Direitos Humanos, bem como as instituições que deram suporte político e financeiro. Ao cumprir seu papel, a Comissão dará uma enorme contribuição para o resgate da memória histórica para que possamos compreender o nosso presente e construir um futuro no qual aquele passado não mais se repita. Portanto, vejo a Comissão Nacional da Verdade como mais um passo importante para o avanço democrático.
 
E qual será a abrangência da Comissão?
 
A Comissão foi criada para investigar as violações dos Direitos Humanos ocorridas no período entre 1946 e 1985. É um período muito longo e o prazo para concluir seus trabalhos é muito curto (maio de 2014). Por isso, ela teve que estabelecer prioridades e decidiu se concentrar na investigação dos crimes cometidos durante a ditadura civil/militar, ou seja, de 1964 a 1985. Pelo que entendo, a CNV já estabeleceu grupos de trabalho para investigar o contexto que levou ao golpe de 1964, a estrutura de repressão criada pelo regime, violação dos Direitos Humanos, incluindo a torturas, mortes e desaparecimentos de membros da oposição, a repressão contra povos indígenas e população camponesas, a guerrilha do Araguaia, Operação Condor, que foi a cooperação entre as ditaduras do Cone Sul, brasileiros assassinados no exterior e estrangeiros assassinados no Brasil e, por último, o papel das igrejas durante a ditadura.
 
Como se pode ver, o campo de investigação é muito amplo e é por isso que a Comissão tem estabelecido convênios com centros de pesquisas e com organizações da Sociedade Civil para levar a cabo sua importante missão.
  
Pra você, a Comissão vai contribuir para ampliar o debate sobre a ditadura em quais pontos?
 
Creio que uma das principais contribuições da CNV será fortalecer a discussão sobre o que os juristas chamam de Justiça de Transição. É um conceito que se refere a medidas que uma sociedade deve implementar após ter superado regimes ditatoriais. Em outras palavras, é a necessidade de remover a herança autoritária e substitui-la por uma nova configuração democrática. Nesse sentido, ainda temos muito que caminhar. Por exemplo, apesar de vivermos em um Estado de Direito, os Direitos Humanos ainda não são plenamente respeitados em nosso país. A tortura ainda é uma prática quase generalizada nas delegacias e nas prisões brasileiras. Ainda temos os assassinatos sumários de presos seguidos de ocultação de cadáveres. As nossas polícias militares parecem que ainda recebem formação para matar em vez de proteger os cidadãos. Parece que confiam mais no uso da violência ativa e reativa do que nas ações de inteligência, investigação e de prevenção do crime. Aliás, o próprio conceito de polícia militar é uma herança da ditadura. As PMs foram criadas como forças auxiliares das Forças Armadas no combate ao “inimigo interno” de acordo com a ideologia da Doutrina de Segurança Nacional e até hoje, depois de quase trinta anos do fim da ditadura, elas continuam intactas. Se no passado o “inimigo interno” eram os membros da oposição à ditadura, parece que hoje esse “inimigo” são os pobres do campo e os que vivem nas periferias das grandes cidades, em especial os jovens e negros. Nenhum governo no período pós-ditadura teve a coragem de propor e de implementar um novo conceito de polícia cidadã. A elite brasileira, apoiada pela grande mídia, ainda vê as questões sociais como caso de polícia e usa seu poder para demonizar e criminalizar os movimentos sociais. Um desafio dessa transição parece ser educar nossa elite para ser capaz de conviver com a democracia. Ao mesmo tempo, apesar de avanços na discussão sobre Direitos Humanos, essa não é uma disciplina obrigatória nas nossas escolas e isso é fundamental para a formação das nossas crianças e dos nossos jovens.
 
A lista de “entulhos autoritários”, como disse Ulisses Guimarães, é longa e os desafios para removê-los muito grandes. Entretanto, não podemos fugir deles se estamos realmente comprometidos com a construção e aprofundamento de uma cultura verdadeiramente democrática no Brasil. Minha esperança é de que na medida em que a Comissão Nacional da Verdade divulgue suas conclusões a sociedade tome consciência de que ainda temos presente entre nós vestígios muito fortes da ditadura e que essa consciência desperte o desejo, a vontade e o compromisso de superar nosso passado autoritário.
  
Há esperanças de que, no futuro, aconteça aqui o que aconteceu na Argentina, ou seja, condenação para os culpados?
 
Espero [que] sim. O Supremo Tribunal Federal decidiu, em 2010, que a Lei de Anistia, imposta pela ditadura, esta concorde com a Constituição. Na verdade, o que me parece que está em jogo não é a constitucionalidade da lei e sim a sua interpretação. O acordo entre as elites que possibilitou a eleição indireta de Tancredo Neves, em 1985, incluiu a ideia de que a Anistia valeu para os “dois lados”. De acordo com essa interpretação a Lei foi também uma auto-anistia concedida pela ditadura. Entretanto, essa interpretação entra em choque com vários tratados internacionais, especialmente o Tratado Interamericano de Direitos Humanos, ao qual o Brasil aderiu livremente. Mais cedo ou mais tarde o STF terá que rever a interpretação que hoje é predominante entre setores poderosos da mídia e da elite política. Caso contrário, o Brasil provavelmente teria que romper com os tratados internacionais dos quais é signatário e isso geraria graves problemas para nós no âmbito internacional. Ao mesmo tempo, o Ministério Público Federal tem agido com vigor e apresentado denúncias contra torturadores notórios. E creio que as últimas decisões judiciais me dão motivos para ser otimista, pois a Justiça Federal no Pará e em São Paulo recentemente acatou as denúncias do MPF respectivamente contra o Major Curió por crimes relacionados à Guerrilha do Araguaia e contra o Coronel Brilhante Ustra, ex-comandante do DOI/CODI em São Paulo.
 
Independentemente das discussões políticas a esse respeito, creio ser importante dizer que impunidade em relação a práticas de tortura e às graves violações dos Direitos Humanos durante a ditadura só servem de encorajamento para os torturadores de hoje oa quais se sentem seguros porque creem que não serão punidos.
 
Quero enfatizar que, para mim, a possível punição dos agentes do Estado, de qualquer escalão dos governos da ditadura, que cometeram crimes de violação dos Direitos Humanos não é um ato de vingança, mas, sim, de justiça. Eles rasgaram a Constituição, depuseram um governo democraticamente eleito, impuseram um regime de terror, estabeleceram o uso de torturas como política de Estado, assassinaram e ocultaram os corpos dos mortos. Não cometeram crimes somente contra pessoas que lhes fizeram oposição. Cometeram crimes contra a sociedade e por esses crimes devem ser julgados.  Não podemos negar a eles o que eles nos negaram, ou seja, devem ser investigados e, se for o caso, indiciados e julgados por um tribunal do Estado de Direito e com todas as garantias de defesa como é próprio do devido processo.
 
Tenho esperança de que em algum momento chegaremos lá, mas sei que tudo isso vai depender da participação das organizações da Sociedade Civil. Tenho dado muitas palestras em várias regiões do Brasil e sinto que há um despertamento de vários setores da sociedade, especialmente entre os jovens. E isso fortalece o meu otimismo.
 
Há um mito de que a ditadura no Brasil foi “branda”, você concorda com isso? Por quê?
 
Não concordo. O mito da “ditabranda” foi inventado pela “Folha de São Paulo” há cerca de dois anos e acompanhada por outros órgãos de comunicação. Foi uma tentativa, a meu ver frustrada, de comparar as outras ditaduras latino-americanas com a brasileira. Não se pode comparar ditaduras pela contabilidade de cadáveres que elas produziram. Se a ditadura argentina assassinou mais pessoas do que a ditadura brasileira foi porque a oposição lá foi muito mais forte e massiva e não porque a nossa ditadura foi “mais humana” ou “mais branda”. Quem passou pelos porões da “nossa” ditadura sabe muito bem o quão violenta ela foi e que de “branda” não teve nada. Minha suspeita é que a grande mídia, ao tentar amenizar a ditadura está, na verdade, tentando se isentar ou diminuir a sua responsabilidade.
 
Que recado você gostaria de deixar para os nossos leitores?
 
Quero deixar um apelo. É provável que muito leitores já tomaram conhecimento, pelos meios de comunicação nacional, de que a Comissão Nacional da Verdade decidiu investigar o papel das igrejas durante o regime militar. Para isso, criou um Grupo de Trabalho formado por pesquisadores ligados a diversas igrejas para cumprir essa missão. Tenho a honra de participar desse grupo como coordenador juntamente com o diplomata Prof. Paulo Sérgio Pinheiro. Sabemos que as igrejas, assim como outras instituições brasileiras, tiveram um papel ambíguo e contraditório durante a ditadura. Ao mesmo tempo em que muitos setores das nossas igrejas se colocaram e lutaram contra a ditadura, outros setores infelizmente se omitiram e outros ainda colaboraram com os órgãos de repressão. O objetivo do GT é apurar todos esses aspectos e para isso vamos precisar do apoio e da colaboração de todas as pessoas e organizações das nossas igrejas no sentido de nos enviar informações que sejam relevantes para o nosso trabalho.
 
Creio que, como igrejas, não devemos nos esconder. Ao contrário, creio sinceramente que temos o dever de dar um testemunho inequívoco do nosso compromisso com a construção da paz e da justiça em nosso país. E para isso devemos estar preparados e preparadas para nos apresentar abertamente perante a nossa sociedade e, ao lado de homenagear a todas as pessoas que por sua fé se engajaram na oposição à ditadura, pedir também perdão pela nossa omissão, negligência atos que contribuíram para a legitimação e consolidação do regime autoritário.
 
Creio que Deus nos chama para esse ato público de contrição que pode também servir de exemplo para outros setores da sociedade que tiveram comportamentos semelhantes.
 
Fico contente porque creio que o primeiro passo nessa direção já foi dado por meio do comunicado do CONIC (clique aqui para ler) em apoio à decisão da Comissão Nacional da Verdade de investigar o papel das igrejas.
 
Se você quiser falar com o Anivaldo Padilha, envie um e-mail para: .
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Recebemos de Deus mais uma época de Advento, um tempo para pensarmos e repensarmos a nossa vida. Quatro semanas para nos prepararmos.
 
 
Advento é tempo de perdão e arrependimento sincero, tempo de se redimir daquilo que o nosso coração e nossa consciência precisam para se libertar para estarmos em paz com Deus, em paz consigo e com as pessoas do convívio próximo.
 
Queremos nos preparar, vamos nos encontrar e celebrar juntos/as. Dia 5 de dezembro, quarta-feira, às 20h, no Instituto de Educação Ivoti.
 
Convidamos você e sua família, venham celebrar este maravilhoso tempo que Deus nos oferece!
 
Favor confirmar sua presença até o dia 3 de dezembro, junto à secretaria do sínodo.
 
Altemir Labes
Pastor Sinodal
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Ministras pastoras, diáconas, catequistas e missionárias estiveram reunidas em Curitiba (PR), nos dias 13 a 15 de novembro, para celebrar os 30 anos de Ordenação de mulheres na IECLB. Todas as partes da programação foram realizadas de forma muito celebrativa.
 
 
Na quarta de manhã, colegas de diferentes épocas e ministérios compartilharam uma perspectiva história da caminhada e também pudemos escutar sobre a Ética do Cuidado. Na parte da tarde, foram realizados trabalhos em três grupos, abordando os temas: Os 1500 anos da Reforma Protestante; 2. Mulheres ocupando espaços de lideranças na Igreja; 3. Política de Gênero. À noite, aconteceu o Culto de Ação de Graças, na Comunidade do Redentor, com a pregação do pastor presidente Nestor Friedrich.
 
Foi um encontro celebrado com alegria e gratidão, conforme compartilha a colega pastora Gabrielly R. Allende: “Foi um encontro riquíssimo em celebrações e reflexões sobre a caminhada das mulheres no ministério. Com poesia, música e um bom conteúdo tivemos a oportunidade de reiterar as nossas conquistas e da caminhada de tantas mulheres que servem as comunidades de nossa IECLB, disse a colega pastora Gabrielly R. Allende.
 
Ministras formadas na década de 90 e 00
 
Me senti aproximada das demais participantes, de suas vivências e seus ministérios. Essa aproximação me permitiu ouvir, falar, cantar, rir, chorar e me encantar ainda mais por tudo o que envolve o nosso servir. Interessante para nós, da geração mais nova, é perceber que precisamos continuar a caminhada que a pastora Rita Panke e tantas outras iniciaram.
 
Ministras formadas na década de 80
 
Como Sínodo Nordeste Gaúcho, a participação foi extremamente válida. O encontro nos impulsionou para que nos organizássemos enquanto ministras, propiciando a continuação das reflexões e dos assuntos referentes à atuação de mulheres na Igreja. Ficamos felizes pela parceria e o apoio de paróquias, sínodos e Secretaria Geral.
 
Celebrar a atuação das Mulheres no Ministério foi uma grande alegria e benção!
 
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A Organização das Nações Unidas – ONU realizará, em março de 2013, mais uma conferência diplomática para discutir a questão do comércio de armas. Neste sentido, o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil – CONIC manifesta-se firmemente em favor de um novo tradado realmente eficaz, e que proteja os direitos humanos e as leis internacionais, tendo em vista que, hoje, o que se vê é uma proliferação desenfreada de armamentos.
 
O comércio de armas envolve cifras astronômicas e sabe-se que muitos interesses econômicos estão colocados em pauta. Temos consciência do lobby do setor armamentista para que este tratado não atenda às expectativas da sociedade civil.
 
Neste contexto, orientamos àqueles que têm a possibilidade de decidir sobre a questão que reflitam sobre o seureal compromisso com a humanidade. Que o horizonte de uma humanidade pacificada seja colocado acima dos interesses daqueles que lucram com o comércio de armas. Que ninguém seja cúmplice da barbárie.
 
Dados indicam que a cada ano os gastos militares crescem em torno de 45%. Crescem também o comércio de armamentos. Nos últimos dez anos, o comércio de armas cresceu, aproximadamente, em 50 bilhões de dólares. Os países que mais exportam armas são os EUA, Rússia, Franca, Alemanha e Inglaterra.
 
Por isso, pedimos que, neste encontro, sejam envidados todos os esforços no sentido de um mundo mais humano e pacífico, um mundo onde o comércio de armas esteja regulamentado pela razão e pela compaixão, não mais pela ganância. Apenas com cláusulas rigorosas e a devida prestação de contas públicas sobre transferências de armas entre países é que se poderá começar a caminhar neste sentido.
 
Como Conselho de Igrejas do Brasil, acompanhamos atentamente a posição do governo brasileiro nesta questão.
 
Isto porque, este tratado tem consequências diretas para nós, brasileiros. O comércio de armas ilegal é um dos fatores que contribui para o aumento da violência. Dos 640 milhões de armas de fogo licenciadas em todo o mundo, aproximadamente dois terços estão nas mãos de civis. Não queremos mais uma cultura de violência.
 
Criticamos o envolvimento do Brasil em transferências de armas, como, por exemplo, para Israel. Este Estado tem violado gravemente os direitos humanos básicos do povo palestino. Isto está comprovado e constatado por várias organizações de direitos humanos, como a Amnesty International e Oxfam. Salientamos que é importante que o Brasil deixe de comercializar, também, bombas de fragmentação, já vetadas em convenção por mais de 100 países.
 
Fazemos apelo a nações como os Estados Unidos e a Rússia, para que, como líderes que são no cenário mundial, sejam a vanguarda deste encontro, surpreendendo o mundo com posições claras e objetivas em relação ao comércio de armas.
 
Por fim, recuperamos a reflexão do ex-presidente dos Estados Unidos, Dwight D. Eisenhower (1952-1960), sobre os custos bélicos realizados durante a Segunda Guerra Mundial: “Cada arma produzida, cada navio de guerra lançado ao mar, cada foguete disparado significa, em última instância, um roubo àqueles que têm fome e não são alimentados, aqueles que estão com frio e não têm o que vestir. O custo de um moderno bombardeiro pesado é este: a construção de uma moderna escola em mais de 30 cidades.”
 
Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil
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Nos dias de hoje, o Advento e Natal, quase por completo, tornaram-se festas comerciais. Com o objetivo de resgatar o seu verdadeiro sentido é que surgiu a proposta do Caderno de Advento do Sínodo Nordeste Gaúcho, elaborado pelo Departamento de Música e Liturgia.
 
 
“A imagem da capa, que mostra uma coroa de Advento, mãos unidas e uma vela, retrata o espírito que conduziu a confecção do caderno”, escreveu o pastor Carlos Romeu Dege, na apresentação: a coroa como símbolo de preparo, de espera, de esperança; as mãos unidas, em elaborar, doar do seu tempo, colocar-se à disposição para celebrar, envolver pessoas para celebrações participativas e dinâmicas; e no centro de tudo a verdadeira luz – Jesus Cristo, o verbo que se torna carne para habitar entre nós hoje e sempre.
 
“Somos imensamente gratos aos ministros e ministras que através deste caderno motivam a cada um e a cada uma de nós a celebrar esta maravilhosa época de Advento”, disse o pastor sinodal Altemir Labes.
 
“É nesta época que percebemos que Deus vem ao nosso encontro para nos mostrar seu amor e a firmeza da sua promessa. Deus afirma que não nos esqueceu, mesmo quando andamos no desânimo e no desespero. Ele mostra que é bondoso, amoroso, parceiro na caminhada”.
 
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